19 July, 2018

Novos produtos da Caixa e do BNDES para lojistas de material de construção

Crédito: Aldemir Pereira

CBMC reúne dirigentes de entidades do setor de todo o País

Executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal (CEF) participaram, em 17 de julho, de reunião de trabalho da Câmara Brasileira de Materiais de Construção (CBMC) para apresentar novos mecanismos de apoio aos negócios do segmento. Os empresários, sob a liderança da Câmara, têm focado grande parte de sua atuação nas instituições estatais que disponibilizam produtos e serviços que dão suporte ao crescimento do setor, explicou o coordenador da CBMC, Claudio Conz.

O gerente de Clientes e Negócios da área de Estratégia deProdutos de Crédito Pessoa Física, Luis Alberto Bartolomeu, apresentou números do desempenho do Construcard nos seis primeiros meses de 2018, que registrou um crescimento de 135% em relação ao semestre anterior. “Parte desse sucesso é fruto de um trabalho em parceria com as associações de comerciantes de material de construção e da participação muito ativa do coordenador da CBMC, Claudio Conz, junto à Caixa”, justificou.

Segundo ele, a instituição vem ouvindo as demandas dos lojistas e clientes pessoa física para determinar a necessidade de crédito, o que levou à remodelação do produto. Com esse objetivo, foi elaborada uma estratégia para alavancar a concessão de recursos.

Em 16 de julho, os gerentes do banco iniciaram uma rodada de negócios em todo o País, que se estenderá até 31 de agosto. Nesse período visitarão todos os 70 mil lojistas conveniados, além de prospectar novos, a quem estão sendo oferecidos produtos específicos para o setor, em condições financeiras diferenciadas.

Construcard para mão de obra

O executivo da CEF também anunciou uma novidade prevista para entrar em vigor em setembro próximo: o financiamento da mão de obra pelo Construcard. “A Caixa acredita e projeta um crescimento do comércio de material de construção, e o Construcard continuará sendo um aliado forte, atrativo e muito respeitado pelos seus usuários”, declarou Bartolomeu.

Segundo ele, a Caixa é reconhecida por seus clientes como um banco que pratica as melhores taxas. Ainda assim, ouviu queixas em relação às que vêm sendo praticadas. O gerente revelou que, desde março, as taxas tiveram uma redução expressiva, partindo de 1,69% até o limite de 3,95%, por conta da queda da Selic – a taxa básica de juros da economia –, que proporcionou um custo menor nos empréstimos bancários. “A nossa expectativa é reduzi-la ainda mais nos próximos meses, em função da continuada redução da Selic.”

Os empresários também reivindicaram a ampliação do número de administradores do Construcard, hoje uma exclusividade da Cielo. A demanda é que a máquina da Rede também aceite o cartão. LuisBartolomeu informou que a Caixa está negociando com as duas administradoras, pois há questões contratuais que precisam ser superadas.

Cartão BNDES

“As questões envolvendo o cartão Construcard são presença constante em nossas reuniões por ser um produto extraordinário, tanto para o varejo como para o atacado. Milhares de lojas cadastradas o recebem, o que já mostra a sua relevância”, afirmou Claudio Conz, que é presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Material de Construção do Estado de São Paulo. Ele fez o mesmo elogio e falou da importância do cartão BNDES para o meio empresarial, ao justificar o convite ao superintendente da nova Área de Fomento e Originação de Negócios do BNDES, Claudio Figueiredo Coelho Leal.

O executivo apresentou a nova área que passou a coordenar no banco, criada em recente redirecionamento estratégico da instituição para se aproximar mais de clientes e parceiros. A área tem braços nos escritórios regionais do banco em Recife, São Paulo e Brasília, que devem se expandir ao longo do tempo.

Leal também mostrou aos empresários uma série de iniciativas visando à simplificação de processos e agilização do trâmite de operações, no que se refere a taxas, prazos de financiamento e condições de acesso, entre outros.

“Foi uma reunião muito produtiva porque também ouvimos as necessidades dos empresários e levamos lições pra casa”, comentou.

“Trata-se de um setor historicamente atendido pelo cartão BNDES e, por isso, chamou a atenção o pleito empresarial em relação à grande retração nos desembolsos do cartão. Explicamos ter sido uma decisão estratégica da nova direção, em função de problemas enfrentados pelo principal repassador de recursos, que experimentou uma inadimplência crescente”, disse. O banco vem, por conta disso, credenciando novos repassadores, o que leva um certo tempo até que entrem em ritmo normal de negócios, acrescentou Leal.

Fora do âmbito do cartão, ele ouviu reivindicações no sentido de financiamentos mais amplos para outros negócios, como aexpansão de lojas.

Finalmente, o superintendente do BNDES disse ter anotado o pedido para que o banco simplifique o credenciamento de alguns itens que hoje não constam do portfólio de produtos do setor de material de construção. “Levamos dever de casa e pretendemos trazer algumas respostas já na próxima reunião da Câmara, em novembro”, afirmou.

Reforma tributária

A questão tributária também concentrou parte dos debates ao longo do encontro, realizado em Brasília. O vice-presidente da Fecomércio-SP e diretor Financeiro da CNC, Marco Aurélio Sprovieri, questionou a burocracia que impacta o pagamento dos tributos no Brasil. Segundo ele, o tempo dispendido pelas empresas brasileiras na apuração de tributos e obrigações acessórias é mais do que o dobro do necessário em países europeus e norte-americanos. “A simplificação é prioritária”, afirmou.

Também incomoda a questão da substituição tributária – mecanismo que acaba estimulando as fabricantes a vender direto para o consumidor porque, ao adotá-lo, só pagam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) da fábrica, não saldando os demais impostos, que quem acaba pagando é o consumidor. Isso estimula a venda direta, via internet, por exemplo, ponderou o diretor da CNC.

Para Sprovieri, é preciso reformular esse sistema e que ele seja único em todo o País. Citou como exemplo um fabricante sediado em São Paulo que vende para o Mato Grosso, onde a Margem de Valor Agregado (MVA – porcentagem determinada pelas Secretarias da Fazenda para os produtos no cálculo do ICMS a ser pago por substituição tributária) é diferente da origem. “Essa complexidade pode causar problemas futuros, como sonegação fiscal e multas que certamente virão por essas diferenças tributárias entre cada unidade da federação”, concluiu.

Congresso Nacional

A pedido do coordenador Claudio Conz, o assessor legislativo Felipe de Miranda Oliveira falou sobre as discussões no Congresso Nacional em relação à questão tributária. Ele informou que a Assessoria Legislativa da CNC acompanha o tema em caráter prioritário por seus reflexos na vida empresarial, inclusive apoiando o tema nas ações da Rede Nacional de Assessorias Legislativas (Renalegis) em cada estado, visando fortalecer uma reforma que, na essência, preveja a simplificação dos processos.

Oliveira revelou que, em encontros com a Assessoria Legislativa, o relator da reforma, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), sempre deixou claro que a intenção é aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC). A ideia básica é simplificar o atual sistema, o que, na opinião do parlamentar, permitiria a unificação de tributos sobre o consumo e seria a única forma de tirar o País da crise. Segundo o assessor, caso se consiga desburocratizar, já se terá conseguido um grande avanço.

Entre as mudanças incluídas na proposta do relator está a extinção de dez tributos, que seriam substituídos por um imposto sobre o valor agregado, de competência estadual, chamado de Imposto sobre Operações com Bens e Serviços, e outro sobre bens e serviços específicos (Imposto Seletivo), de competência federal.

Nos corredores do Congresso Nacional, esse é um tema recorrente em busca de um consenso. O problema é que, paralelamente, há uma pressão muito forte vinda dos estados contrários a isso. As próprias prefeituras são contra porque têm no atual sistema uma possibilidade de ter ganhos.

Para o coordenador da CBMC, hoje, a legislação é confusa e complexa e isso em nada ajuda a quem negocia. "Temos que começar a ter uma defesa mais consistente, como o trabalho que vem sendo executado pela Assessoria Legislativa da CNC no Congresso", afirmou Claudio Conz.

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